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Tradiçao do Nkissi
Tradiçao do Nkissi

O QUE CARACTERIZA A TRADIÇÃO DO NKISI, O ADÊ UTILIZADO PELOS ORIXÁS OU A MUKANGÊ (MASCÁRA)?

 

 

Por Taata Nganga Kwa Nkisi Katuvanjesi

Se considerarmos que todo rito corresponde, em sua raiz, a um mito e que os mitos dizem respeito a uma forma de ver o mundo e a realidade. Certamente, em uma leitura livre de esquemas comparativos que depreciem qualquer forma de realizar a experiência do sagrado em diferentes ritos e culturas, apenas poderemos constatar que as fusões e reinterpretações que são inseridas no chamado caldeamento de culturas, como ocorrem no Brasil, que mescla diferentes cultos de origem africana, transformando-os e preenchendo-os com diferentes significados, tal conduta, muitas vezes esvazia o significado original o que serve tanto como perda da tradição como elemento fragmentador dos mitos geradores dos ritos adotados.

Então, partindo desse particular ponto de vista, a MUKANGÊ (MASCARA), que é característica da tradição congo-angola e marca específica de sua visão da manifestação da divindade Nkisi, reflete algo de seu mito espiritual, algo que merece ser considerado e meditado, para ser compreendido.

Sobretudo, a singularidade da Mukangê (Mascara), demonstra muito da visão congo-angola sobre o Nkisi, porque diferentemente da tradição Yorubá, não se enfatiza a natureza da divindade em sua encarnação humana, mas a natureza divina e singular do Nkisi em seu iniciado e filho, que através do seu transe traz ao mundo da relatividade de forma única, uma energia sagrada que jamais tomou essa forma, pois que cada filho seu reflete uma singularidade original.

Na tradição Yorubá, a divindade certa vez, em seus mitos de origem, tomaram a forma humana e quando se manifestam as divindades em seus filhos, gostam de identificar-se com as mesmas coisas que são descritas pelo seu comportamento quando estiveram aqui no mundo humano.

Já na tradição congo angola, as forças espirituais dos Minkisi, permanece sempre no mundo abstrato do sagrado, de forma que quando o iniciado coloca a máscara e manifesta seu “Santo”, apesar de estar manifestando no plano humano a força de uma divindade, ele se despersonaliza pela máscara, demonstrando que não é ele quem dança quem se movimenta que se comunica, mas a entidade espiritual que através de sua cabeça pode vir ao mundo da relatividade.

Assim, que se pode verificar que cada máscara de Nkisi é diferente das demais, enquanto que o Adê (Coroa) do Orixá Ioruba enfatiza a identificação com um comportamento arquetípico do Orixá, a Mukangê (Mascara) enfatiza a singularidade do Nkisi que encontrou um filho seu para se manifestar de forma completamente nova no mundo, ainda que com os princípios subjetivos de sua força original.

Vale destacar que a comparação nem sempre é saudável porque pode gerar juízos depreciativos, porém todas as visões são importantes para entendermos nossas raízes religiosas. Quem sabe em breve poderemos contar com estudos mais profundos e completos na teologia comparada entre dos mitos de diferentes culturas áfricas...

Isto posto, pergunto aos meus severos e odiosos críticos, o que é melhor compreensivo e adequado, paramentar o Orixá com um Adê (Coroa) utilizando para tal os apetrechos literalmente e visceralmente já caracterizando a tradição Yorubá-nagô, apelidando essas divindades de Nkisi ou paramentar o Nkisi com a sua indumentária e insígnia que pode ser Mukangê (Mascara), lança etc.?

Até quando vamos continuar alimentando mentiras vergonhosas e apresentando desculpas deslavadas e insanáveis, orixalizando e nagotizando os Minkisi...?

 

 

 

DENOMINAÇÃO DOS INSTRUMENTOS TOCADOS NO BARRACÃO DE CONGO-ANGOLA

Por Taata Kambandu Ntondi Oni, Sergio Luiz, de Nkosi

 

1º - NGOMA UA TXINA (NGOMA WA CHINA):

Tambor dum tímpano, face ou tampo de rufo(uma pele): Quiocos, Lundas, Luenas e outros (Lunda e Moxico). É o maior da família vulgar de três tambores cilíndricos dum tímpano apenas, usados por aqueles grupos étnicos. Os Luenas constroem um modelo alto e elegante que se divulgou ao longo do Cassai.

 

2º - NGOMA WA MUKUNDU:

Tambor com um tímpano ou tampo de rufo (uma pele) (Quiocos, Lundas e outros), da Luunda e do Moxico. Tamanho abaixo do Tchina, na família dos tambores Lunda-Kiocos.

 

3º - NGOMA UA KASSUMBI: (NGOMA WA KASUMBY)

Pequeno tambor com um tímpano ou tampo de rufo (uma pele): Quiocos em especial (Luunda, Moxico, etc.). Designado cassumbi (franga) por compararem o seu rufo ao cacarejar duma galinha nova.

 

NGONGÊ OU GONGO

Ngonge ou Gongo (Ngonge ou Ngongo): designação bastante generalizada para a dupla campânula, ou campânula geminada, de ferro, também classificada como sino manual e, mais vastamente, conhecida pela designação saxônia de doublé-bell. Em Cabinda, segundo tradições, o chingongo, podia ser de ferro ou de cobre. Ouve-se a grande distancia e tem um timbre especial que uma vez ouvido não mais se confunde (matos e Silva). Entre os Lunda-Quiocos é designado lubembe ou rubembe. O gonge é, por excelência, um instrumento real, velha tradição na maior parte da população banta da província (fig. 58). Este instrumento aparece nas paginas das obras de Cavazzi sob o nome de longa, e em gravuras da época (século XVI).

 

 

 

Nota: É muito provável que o instrumento de origem africana designada agogô no Brasil seja o gongue de Angola. O agogô é formado por uma campânula de ferro simples ou duplo, de percussão manual e é usado nos cultos afros em todo o Brasil.

 

 




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